RIO PARDO, UMA PAIXÃO. A mais notável artéria, onde pulsa a vida de nossa cidade.  O principal acidente geográfico, que realiza a pujança do nosso povo. Essa pequenininha nascente, de águas límpidas, no alto da Serra das Tronqueiras, nos contrafortes da Serra da Mantiqueira, no nosso município, serpenteia-se por serra abaixo, percorrendo 573 quilômetros, pelo nosso Estado e de São Paulo, até desembocar no Rio Grande, num imenso volume de água. O seu percurso inicia-se em Ipuiuna, passa por Santa Rita de Caldas, Caldas e Poços de Caldas, em Minas Gerais, e depois Caconde, São José do Rio Pardo, Mococa, Casa Branca, Cajuru, Santa Rosa de Viterbo, Jardinópolis, Ribeirão Preto, Sertãozinho, Viradouro, Barretos, até a cidade de Colombia, no Estado de São Paulo. Reconhecemos, com muita tristeza, que já estamos entregando, no seu nascedouro, para a sucessão de comunidades, que são banhadas por ele, um rio já bastante poluído, praticamente morto. Essa pequena quantidade de água que forma o início do venerável Rio Pardo e se avoluma grandemente, na sua caminhada pelas montanhas e planícies do nosso Estado e São Paulo, é de grande importância, também como potência hidroelétrica, com as represas e usinas de Euclides da Cunha, Limoeiro, Caconde e outras, no seu leito. Também, ainda que se pese a sua condição ambiental, o Rio Pardo continua sendo bastante piscoso. Aqueles mais antigos habitantes de nossa terra, tiveram o privilégio, de usufruir do Rio, das mais variadas formas: saciando a sede, com sua água, potável, de muita transparência – pescando em suas águas, lambaris, bagres, maria mole, que nutriam, principalmente os ribeirinhos – nadava-se, muitos aprenderam a nadar, em suas águas, principalmente, no fundo do campo de futebol, como eu. Hoje, convivemos com um rio, praticamente morto. Suas águas são amarelas, escuras, bem densas e em alguns pontos, fétidas, pois recebe uma carga enorme de esgoto e dejetos químicos, se encontra criticamente assoreado e sem matas ciliares. Não se constata nenhum sinal de vida aquática. Quem conheceu e vê hoje, o amado Rio Pardo, uma lágrima incontida, escorre por sua face. Pesquisadores vaticinam a extinção do Rio Pardo. O nosso maior presente da natureza, poderá não mais existir. Pense, Ipuiuna com o leito do Rio Pardo, seco. Uma tragédia. Há possibilidade do Rio Pardo voltar a ser como nos anos 40/50? Com o tema meio ambiente, alcançando a mente do nosso povo, principalmente dos nossos jovens, dos nossos estudantes, é possível a ressuscitação do Rio Pardo. Hoje, um trabalho de recuperação completa, não é viável, porque todo o esgoto urbano de nossa cidade, está sendo lançado em suas águas. E o esgoto é bastante volumoso, porque a cidade cresceu. Só pode-se trabalhar a favor do Rio Pardo, quando a COPASA, já obrigada por contrato, fizer o tratamento desse esgoto. Com a situação financeira do nosso país e do nosso estado, creio que ainda demanda-se um certo tempo. Mas, podemos fazer um começo dessa ressuscitação, do nosso amado rio. Fundamentalmente recupera-se um rio, tornando-o saudável, mantendo-se e recuperando as matas ciliares. Por isso, seria muito importante que o poder público e toda a comunidade plantassem árvores nas margens do Rio. É o melhor caminho para recuperar o nosso querido Rio Pardo. O ipuiunense, com sua fibra, sua vontade de viver, não pode conformar-se com os estertores mortais, do nosso inestimável Rio Pardo. Vamos abraçar o Rio Pardo. Vamos ressuscitar o Rio Pardo, para que nossos pósteros recebam suas águas, em condições de produzir vidas. Escreveu, um ipuiunense, apaixonado pelo Rio: João Batista de Souza Franco.